“Don't Ask, Don't Tell” vira lei
Clinton queria acabar com a proibição de homossexuais nas Forças Armadas. No fim, a inscreveu na lei.
Em 30 de novembro de 1993, o presidente americano Bill Clinton assinou o orçamento da defesa para o ano seguinte. O breve comunicado da Casa Branca mencionava bilhões e uma pensão maior para condecorados. Nenhuma palavra sobre o fato de a lei conter também uma regra que marcaria a vida de milhares de soldados: “Don't Ask, Don't Tell”.
E tudo tinha começado com uma promessa. Na campanha, Clinton tinha anunciado que acabaria com a proibição de homossexuais nas Forças Armadas. Mal assumiu, enfrentou uma resistência ferrenha. A cúpula militar, com o chefe do Estado-Maior Conjunto Colin Powell à frente, se opôs, assim como senadores influentes de seu próprio partido.
O resultado foi um meio-termo. As Forças Armadas não perguntariam mais pela orientação sexual. Em troca, pessoas lésbicas, gays e bissexuais só podiam servir enquanto se calassem. Quem saísse do armário ou vivesse uma relação com alguém do mesmo sexo continuava sendo expulso. O próprio Clinton chamou a solução de grande passo à frente, ainda que não perfeito.
Na verdade, foi mais um passo atrás. Até então, a exclusão se baseava apenas numa diretriz interna do Pentágono, que um presidente poderia ter mudado. Agora estava na lei. Dali em diante, só o Congresso podia revogá-la.
As consequências foram enormes. Mais de treze mil pessoas foram expulsas do serviço nos anos seguintes. Muitas viveram por anos com medo de que uma carta, um telefonema ou um boato acabasse com sua carreira.
Levou dezessete anos até o Congresso derrubar a regra. Só em setembro de 2011 pessoas queer puderam servir abertamente de uniforme nos Estados Unidos. A assinatura silenciosa de novembro de 1993 mostra como um meio-termo bem-intencionado pode virar armadilha.