Fracassa o referendo contra a lei trans
Os conservadores queriam derrubar a lei trans do Uruguai. Em 4 de agosto de 2019, fracassam claramente nas urnas.
Em 4 de agosto de 2019, o Uruguai realizou uma votação nacional que decidiria o destino de uma das leis trans mais avançadas da América Latina. Dez meses antes, em outubro de 2018, o Parlamento tinha aprovado a “Ley Integral para Personas Trans”, a primeira lei trans abrangente da região. Ela simplifica a mudança de nome e de registro de sexo, reserva um por cento dos cargos públicos a pessoas trans e concede pensões reparatórias a quem foi perseguido por sua identidade de gênero durante a ditadura militar (1973 a 1985). Um ponto é especialmente polêmico: adolescentes podem, em certas condições, receber tratamento hormonal mesmo sem o consentimento dos pais, se uma equipe técnica aprovar.
A oposição à lei se formou rapidamente. O deputado nacionalista Carlos Iafigliola e o pastor evangélico e deputado Álvaro Dastugue reuniram, sob o lema “Todos somos iguales”, mais de 69 mil assinaturas, mais do que os dois por cento do eleitorado necessários para um pré-referendo. As associações trans acusaram a campanha de usar informações enganosas e apresentaram denúncia por incitação ao ódio. Mesmo assim, a Corte Eleitoral marcou a votação para 4 de agosto.
Naquele domingo, 25 por cento do eleitorado, cerca de 650 mil pessoas, teria de votar pela revogação para que houvesse um referendo vinculante. À noite ficou claro: só cerca de oito por cento participaram. O limite ficou longe, e a lei continuou plenamente em vigor. As organizações trans interpretaram o claro fracasso como um sinal forte, depois de meses de mobilização contra uma campanha que consideravam transfóbica.