Um Teletubby é “tirado do armário”
Um pregador, um boneco infantil roxo e uma bolsa: como Tinky Winky virou em 1999 o “Teletubby gay”.
Em 9 de fevereiro de 1999, o televangelista Jerry Falwell se manifestou com uma declaração que logo provocaria espanto no mundo todo. O motivo era um artigo em sua revista “National Liberty Journal”. Sob o título “Parents Alert: Tinky Winky Comes Out of the Closet”, a publicação alertava os pais sobre um personagem roxo do programa infantil britânico “Teletubbies”.
Os indícios eram frágeis. Tinky Winky falava com voz de menino, mas carregava uma bolsa. Era roxo, a cor do orgulho gay. E sua antena tinha forma de triângulo, um símbolo do movimento gay. Falwell, fundador da Moral Majority, achava tudo isso intencional. Em sua declaração, escreveu que, como cristão, considerava prejudicial à moral das crianças apresentar-lhes um estilo de vida gay.
A resposta veio rápido. Um porta-voz do licenciado americano esclareceu que a suposta bolsa era uma bolsa mágica. Isso não tornava o personagem gay; afinal, era um programa para crianças pequenas. Falwell estaria usando algo inofensivo para seus fins políticos.
O pregador não era novato nessas batalhas. Dois anos antes, tinha pressionado grandes empresas a não patrocinar um episódio da sitcom “Ellen”, em que a protagonista se assumia lésbica. Desta vez, porém, o tiro saiu pela culatra. Jornais, humoristas e leitores zombaram do “Teletubby gay”. Para muitos gays, Tinky Winky já era havia tempo um personagem cult.
O assunto não morreu ali. Oito anos depois, a defensora dos direitos da criança da Polônia anunciou que mandaria psicólogos examinarem se o personagem promovia a homossexualidade. Pouco depois voltou atrás. Tinky Winky continuou sendo o que sempre foi: um ser roxo com uma tela na barriga e uma bolsa cheia de surpresas.