O assassinato de Marielle Franco
Treze tiros no Rio: em 2018, a vereadora Marielle Franco foi assassinada. Sua morte comoveu pessoas no mundo todo.
Na noite de 14 de março de 2018, Marielle Franco estava no banco de trás de um carro no Rio de Janeiro. A vereadora voltava de um evento sobre jovens mulheres negras que querem mudar estruturas. No caminho, outro carro emparelhou. Dele partiram treze tiros. Franco e seu motorista, Anderson Gomes, morreram. Sua assessora, Fernanda Chaves, sobreviveu.
Franco cresceu na favela da Maré e de lá chegou à Câmara Municipal. Eleita pelo PSOL, partido de esquerda, era uma das vozes mais fortes contra a violência policial nas comunidades pobres. Lutava pelas mulheres, pelas pessoas queer e pelos jovens das periferias. Na vida privada, vivia abertamente com sua companheira, a arquiteta Mônica Benício.
O assassinato provocou uma onda de indignação. No Brasil e no mundo, milhares foram às ruas. Em camisetas e faixas apareceu logo uma frase que virou palavra de ordem: “Lute como Marielle Franco.” Benício a usou durante meses, viajou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra e recebeu ela mesma ameaças que a fizeram deixar o apartamento do casal.
Quase exatamente um ano depois do crime, dois ex-policiais militares foram presos. Um teria atirado, o outro dirigido o carro. Segundo os investigadores, o atentado tinha sido preparado durante meses. Quem o encomendou, porém, permaneceu por muito tempo em aberto. As suspeitas recaíam sobre milícias, grupos criminosos com ligações com a polícia e a política.
Levou quase oito anos. Em fevereiro de 2026, o Supremo Tribunal Federal condenou cinco réus pelo duplo homicídio, entre eles os mandantes. Para muitos, foi uma rara ruptura com a impunidade dos crimes políticos no país. A própria Franco tinha trinta e oito anos.